1955 – Nascia a Ginasta Russa , Olga Korbut

16 de Maio 1955

Nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, uma jovem atleta soviética assombrou o público, conquistando três medalhas de ouro e inovando um movimento de solo que passou a ser conhecido como o “salto mortal Korbut”.

Olga Korbut desafiou a normalidade e mudou o mundo da ginástica artística. Pode parecer exagero; no entanto, o mundo mostrou-se feliz em acompanhar as suas apresentações.

ss-8-greatest-1-getty

Nascida na Bielorrússia, começou a treinar ginástica aos nove anos de idade e logo conquistou seu lugar nas 35 escolas de elite da ginástica soviética. Foi treinada inicialmente por Yelene Volchestskaya, medalha de ouro olímpica em 1964, que a via como atleta especial, recomendando-a ao director, Renald Knysh, que a treinasse pessoalmente. Knysh tinha uma visão muito pessoal da ginástica e apenas alguém excepcional poderia ajudá-lo a torná-la realidade. Knysh e Korbut passaram a formar uma das mais transcendentais relações professor/pupila da história desportiva.

Knysh disse que no começo não gostava de Korbut, achando-a “preguiçosa e caprichosa”, mas também reconheceu nela, além do grande talento e da rara flexibilidade da coluna vertebral, a brejeirice e o carisma necessários para fazer do sonho uma realidade. Korbut, por seu lado, descrevia Knysh como “um déspota, pessoa solitária, bicho raro, mas como treinador, um génio”.

Knysh iniciou a preparação de Olga aos 12 anos. Foi implacavelmente exigente. Planeava surpreender o mundo com algo jamais anteriormente tentado. Para tanto ela teve de ensaiar centenas de vezes, diariamente, durante anos.

Olga-Korbut-008

Na sua primeira apresentação em Munique, na trave de equilíbrio, Korbut executou algo que ninguém havia tentado numa competição internacional: um salto mortal de costas na trave. Os aficionados já tinham visto esse salto no solo, mas não na trave, com apenas 10 centímetros de largura. Sua coragem e habilidade fizeram o público prender a respiração para em seguida saudá-la com gritos e alvoroço.

Até então, a trave servia para mostrar equilíbrio e a graça de movimentos de balé. Eis que, de repente, surgia uma menina executando lances extraordinários de agilidade e precisão.

O ponto alto da série de exercícios foi um movimento que se tornou conhecido como o “Salto Korbut”, ao apoiar os pés na barra mais alta, deu um salto mortal de costas e, como se estivesse sendo sugada por um vácuo invisível, retomou habilmente a posição frontal na mesma barra. “Alguma menina tentou executar esse exercício antes?”, arqueou um incrédulo comentarista da televisão norte-americana ao seu colega de trabalho que tinha deixado cair o queixo a tempo de replicar: “Jamais, jamais! Não por qualquer ser humano de que tenha conhecimento. Fiquei arrepiado!”.

SAVE00218

Nem todos gostavam da influência de Korbut. Alguns funcionários russos eram hostis às mudanças que proporcionou neste desporto, transformando a ginástica de uma disciplina que  se aproximava do ballet a uma espécie de show circense.

Onze meses depois de Munique, os saltos mortais de costas sobre a trave foram banidos, supostamente por razões de segurança. Korbut ameaçou retirar-se das competições.

MTIwNjA4NjMzODc2NjEyNjIw

Nos Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976, uma contusão impediu-a de avançar. Foi eclipsada pela sua colega de equipa Nellie Kim, porém, acima de tudo, por uma jovem romena que demonstrou tanta audácia quanto um refinamento técnico de modo a conquistar a aprovação dos puristas: Nadia Comaneci, 14 anos.

Retirou se definitivamente um ano mais tarde.