1767 – Nascia D. João VI – “O Clemente “

13 de Maio 1767

Nasceu em Lisboa, em 1767. Era filho de D. Maria I, a quem sucedeu, e de D. Pedro III. Casou com D. Carlota Joaquina de Bourbon. Teve o cognome de “O Clemente” devido à sua bondade e disposição em perdoar. Passou a usar o título de Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Daquém e Dalém-Mar em África e Senhor da Guiné… Faleceu em 1826 e jaz em S. Vicente de Fora.

Decorridos dois anos após o falecimento de D. Maria I, o Príncipe Regente, seu filho, que continuava no Rio de Janeiro, foi aclamado com o título de “Rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve”. A ausência tão prolongada de D. João VI, a miséria e a devastação causada pela Guerra Peninsular e a influência exercida junto do Governo da Regência pelo inglês Beresford, marechal instrutor do exército português, fizeram crescer em Portugal a lista dos desgostos, e prepararam, ao mesmo tempo, um ambiente revolucionário.

As novas ideias (liberais) importadas da França pelas tropas de Napoleão, durante as invasões franceses iam-se espalhando cada vez mais. Falava-se contra o governo, contra a família real e contra os ingleses. E tudo assim foi correndo, até que, no dia 24 de Agosto de 1820, estalou no Porto uma revolução preparada e dirigida por Manuel Fernandes Tomás, José Ferreira Borges e José da Silva Carvalho, que saiu triunfante.

A Junta Governativa foi logo demitida e criada outra, a Junta Provisória do Governo Supremo do Reino, que tomou o poder em nome do rei, ficando encarregada de convocar as Cortes Gerais, que deviam decretar uma Constituição.

Anônimo_-_Retrato_de_Dom_João_VI_-_século_XVIII

Esta Constituição foi proclamada em 23 de Setembro de 1822, jurada por D. João VI que, então, já havia regressado do Brasil. D. João VI regressado a Portugal, deixou ficar no Brasil a governar como regente, o seu filho mais velho, D. Pedro. Aos portugueses residentes naquela colónia, bem como aos próprios naturais, não agradou a retirada da corte, que ali permanecera durante doze anos. Por isso, descontentes, proclamaram, em Setembro de 1822, a independência do Brasil, de acordo com o próprio regente D. Pedro, que depois se fez aclamar seu imperador. Desde então aquela colónia deixou de pertencer a Portugal, o que só foi reconhecido em 15 de Novembro de 1825, por D. João VI. O infante D. Miguel, filho segundo de D. João VI, auxiliado por sua mãe, a rainha D. Carlota Joaquina, conspirava contra o regime liberal, fazendo todos os esforços para derrubá-lo.

Em 27 de Maio de 1823, D. Miguel, à frente de um regimento de infantaria e de alguns soldados de cavalaria, fez estalar a contra-revolução em Vila Franca de Xira e proclamou novamente o absolutismo. O rei, embora contrariado a princípio com a atitude do filho, terminou por aderir ao movimento. A seguir, demitiu o governo, prometeu uma nova Constituição e nomeou D. Miguel, chefe dos exércitos. Porém, aquela revolta não ofereceu os resultados positivos que se esperavam. O rei, por sua livre vontade ou aconselhado, contrariou depois a marcha dos acontecimentos. Tal, contribuiu para que D. Miguel se revoltasse de novo (30 de Abril de 1824), levando consigo toda a guarnição militar de Lisboa a cercar o palácio real da Bemposta. D. João VI, medindo a gravidade do momento, seguiu a bordo de um navio inglês que estava ancorado no Tejo. De lá retomou todos os poderes e demitiu D. Miguel do seu alto posto de generalíssimo. Tendo fracassado a causa de D. Miguel, este foi obrigado a abandonar o país pouco tempo depois e foi fixar-se na Áustria. Foi a partir quase do fim deste reinado (1822) que começou em Portugal o regime constitucionalista. Até então vigorara o regime tradicional, o absolutismo.

Jean-Baptiste_Debret_-_Retrato_de_Dom_João_VI_(MNBA)