“Crime e Castigo“ – Livro de F.Dostoievski

12 de Maio 1866

Crime e Castigo é um dos maiores romances da história e tem como  característica o facto de ser um livro que reproduz a angústia psicológica de uma personagem que desde o início já sabemos ser um assassino. O estilo de Dostoiévski é inconfundível, já que ele reproduz os pensamentos e as dúvidas mais íntimas das personagens. O romance começa por narrar a história de Raskólnikov, um estudante que vive num pequeno apartamento alugado que pertence a uma velha avarenta. Raskólnikov ganha dinheiro fazendo pequenas traduções, no entanto, vive à beira da miséria. Como é um jovem muito neurótico e introspectivo,o estudante ( na verdade ex-estudante) durante os seus vários momentos de ócio formula uma tese que pensa ser original: homens como César e Napoleão foram responsáveis por milhares de mortes, entretanto, foram considerados pela história como grandes heróis e conquistadores ??!!… Porque Raskólnikov pensa dessa maneira? Porque ele se vê oprimido pela velha dona do apartamento.maxresdefault

Então Raskólnikov questiona se a respeito de uma ideia que ele teve: se Napoleão matou milhares e foi absolvido pela história, porque não também ele se matasse a velha que vivia do dinheiro do aluguer e juros? Não estaria ele fazendo um bem à humanidade? Essa pergunta reflecte o pensamento do próprio Dostoiévski, para quem as ideias moviam os homens, e não os homens realizavam as ideias.

Toda a psicologia e a angústia de Raskólnikov no momento em que se prepara para matar a velha são registados de maneira magistral por Dostoiévski. O leitor parece que está assistindo à cena. Então o facto acontece, mas esse não é o momento crucial do livro, pois a melhor parte está para vir.

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Ninguém sabe que ele matou a avarenta. Foi, na verdade, um crime perfeito. Mas aí entra a grande questão: como superar o sentimento de culpa que nunca foi descrito em nenhum livro que ele leu? Matar milhares em nome da humanidade talvez seja mais fácil do que matar um único ser humano, e isso Raskólnikov não previu. Outro aspecto psicológico do assassino entra em cena que é o desejo de ser punido. Quando a polícia começa a investigar o crime, Raskólnikov não é o primeiro suspeito, mas no momento em que ele vai ser interrogado pelo juiz Porfiri Pietróvitch, todo o romance muda de cena.

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Raskólnikov vê-se diante de um opositor formidável, porque aparentemente durante o seu interrogatório o juiz parecia desconfiar que ele era o autor do crime. Surge então na mente de Raskólnikov o sentimento de prazer e de grandeza, uma vez que ele se alegra com o duelo de palavras e gestos simulados que trava com o juiz. Ele sente prazer em ser mais esperto do que Porfiri, pelo menos no primeiro instante.

À medida que os interrogatórios vão se multiplicando, Raskólnikov percebe que está perdendo o controle da situação. O juiz Porfiri aparenta ter certeza de que ele é o culpado e tenta fazer um jogo psicológico com Raskólnikov para ver se ele confessa. Os diálogos são perfeitos e até mesmo engraçados.

Mas o personagem encontra uma pessoa que o faz sentir o amor pela primeira vez na vida. Essa é Sônia, uma prostituta miserável. Sônia representa no romance a fé ortodoxa e a possibilidade de redenção.

Feodor Dostoyevsky

Mais adiante ele confessa para Sônia que foi o autor do crime. Ela diz para ele confessar e ele assim o faz.

Ele é condenado à prisão de oito anos na Sibéria, onde influenciado pelo amor de Sônia, sua regeneração moral vai ter início.