Queda de avião mata equipa de Futebol do Torino, Itália

4 de Maio 1949

4 de maio de 1949. Nos céus de Itália, o avião Fiat-G212 da ALI enfrenta um temporal. A bordo, 31 pessoas. 18 jogadores daquela que é considerada na altura uma das melhores equipas da Europa, o Torino, equipa técnica, jornalistas e tripulação. Regressam de Lisboa, de um jogo amigável entre o colosso italiano e o Benfica. Um encontro de homenagem ao capitão encarnado Ferreira.

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Nuvens negras, trovoada, chuva e vento forte começaram a aparecer na rota do voo já no Mediterrâneo, após a escala técnica feita em Barcelona. Ainda foi ponderada a alteração do destino para Milão, mas depois a rota é mantida. O tempo ia piorando consoante a aeronave avançava. Um manto espesso de neblina cobria a região de Turim.

O voo tem aterragem prevista para as 17:00 e, já nos arredores da cidade, o piloto, com vasta experiência de voo, muita adquirida na II Guerra Mundial, foi contactado pela torre de controlo. «Estamos perto. Mais 20 minutos e chegamos», começa por dizer. «Estamos debaixo das nuvens. Faz-me um café para quando chegar», pediu ao companheiro que estava em terra.

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Às 17:02 a torre emite o boletim meteorológico ao piloto. « Nebulosidade intensa, rajadas de chuva, visibilidade baixa, nuvens 500 metros». « Recebido. Está bem, muito obrigado. Estamos a chegar», responde o piloto um minuto depois. Foi o último contacto.
O avião começa a descida para Turim. No caminho, passa pela Basílica de Superga, no alto de uma colina. Lá dentro, o padre, que estava a ler, ouve o barulho dos motores da aeronave. Está habituado a isso porque são muitos os aviões que sobrevoam a igreja. Mas depois um estrondo. A terra treme. A basílica abana por completo. O Fiat-G212 tinha-se despenhado contra uma parede da igreja.

Uma explosão mata as 31 pessoas a bordo. Mas faz mais do que isso. Destroça famílias, abala uma cidade, mata um clube, devasta uma seleção e muda por completo a história do campeonato italiano.

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