Em 1952 nascia o estilista Jean Paul Gaultier

24 de Abril  1952

Conhecido como o “enfant terrible” da moda francesa, Jean Paul Gaultier tem alma de popstar, alcançou o estrelato quando Madonna empunhou um sutiã de cone numa tournée mundial e, com sua criatividade e ousadia à flor da pele,  tornou se um dos maiores expoentes da moda, assim como fez com sua marca. A sua maior inspiração, tanto na moda quanto na perfumaria, onde as suas fragrâncias são campeãs de venda, é o corselet rosa e a camisa de marinheiro, ícones usados nos frascos de seus dois mais famosos perfumes.

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Nascido no dia 24 de Abril de 1952 em Arcueil, um subúrbio de Paris, quando menino Jean Paul Gaultier pouco queria saber dos brinquedos que tanto encantavam a garotada da época. Queria mesmo era criar bijutarias e acessórios com elementos que encontrava no lixo. Isso já revelava o seu espírito transgressor e o precoce talento de unir opostos completos numa peça de roupa. Não é à toa que a imprensa e a crítica de moda são unânimes em afirmar que Gaultier foi o responsável por levantar a discussão sobre o limiar entre o bom e o mau gosto por meio da prática da subversão. Depois de enviar os seus desenhos para todos os importantes estilistas da época, no dia do seu aniversário de 18 anos, em 24 de Abril de 1970, recebeu um contrato da Maison Pierre Cardin: o autodidacta Jean Paul Gaultier havia conseguido o seu primeiro emprego com um dos mais importantes criadores da época.

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No ano seguinte, uma rápida passagem por Jacques Esterel e pela Jean Patou, e então voltou a trabalhar com Pierre Cardin em 1974 para cuidar da loja do estilista francês em Manila nas Filipinas, onde chegou a desenhar para a primeira-dama do país e mulher do ditador Ferdinand Marcus, Imelda. E, finalmente, em 1976, já de volta a França, Gaultier, com a ajuda de seu parceiro Francis Menuge, assinou a sua primeira coleção e no ano seguinte inaugurou sua própria Maison. Era o surgimento oficial da marca JEAN PAUL GAULTIER e do estilo irreverente que se baseava mais no movimento punk londrino da época do que nas tendências da moda parisiense.

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Em 1988, recriou a tradicional construção do traje masculino, ao propor saia para os homens, inspirado no kilt, o traje típico dos escoceses. Uma imagem dessa revolução lhe valeu, seis anos depois, o lugar no poster principal de uma badalada exposição no Metropolitan Museum de Nova Iorque com o título Coração valente: homens de saia, com imagens e peças de top estilistas do mundo fashion, entre eles o próprio Jean Paul Gaultier. Causou também grande impacto nos desfiles ao utilizar modelos nada convencionais, como homens idosos e mulheres gordas, modelos tatuadas e com piercings, entre outras excentricidades. Isto lhe valeu muita crítica, mas também trouxe enorme popularidade para sua marca.

Jean Paul Gaultier Fashion Show, Couture Collection Fall Winter 2015 in Paris

Em 1990, seu talento recebeu a coroação final ao ser ungido pela deusa máxima do pop, Madonna, que o elegeu como o estilista de sua turnê Blond ambition (do inglês, “ambição loira”). Graças a sua intimidade com a subversão, o estilista trouxe a lingerie à mostra e imortalizou em Madonna o corpete com os bojos cónicos, imagem que ficou registada como um dos ícones do final do século. Esse foi apenas o início de uma íntima parceria entre a diva loira e o estilista.

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Outro ponto alto de sua carreira foi o ingresso no mundo da alta costura. Em 1997, ano em que completava duas décadas de sua marca própria, debutou no topo do mundo da moda e, ao lado de seu contemporâneo e também brilhante estilista, o francês Thierry Mugler, se celebrizou por renovar o mundo da alta costura, com desfiles aromáticos e inesquecíveis. Em 2003, aceitou o convite da tradicional Hermés e assumiu a direcção criativa da Maison francesa, sendo a primeira vez na sua carreira que desenharia para outra marca. Gaultier repaginou a estética tradicional da marca e foi muito elogiado pela imprensa, além de trazer enormes ganhos financeiros para a Hermés até 2010, quando deixou o cargo. Depois de muita negociação, em 2011, o grupo espanhol Puig (que detém as marcas Nina Ricci, Paco Rabanne e Carolina Herrera) adquiriu 60% da empresa, sendo 45% comprados do grupo Hermès e 15% do próprio Gaultier. Hoje em dia a marca possui três colecções principais assinadas pelo estilista: GAULTIER PARIS (alta-costura) e JEAN PAUL GAULTIER (ready-to-wear), para mulheres e homens.

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