1923 – Nascia o Escritor Eugénio de Andrade

19 de Abril  1923

Poeta português, Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 de Janeiro de 1923 no Fundão, e faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto.

Em 1947 ingressou na função pública, como funcionário dos Serviços Médico-Sociais, e em 1950 fixou residência no Porto. Manteve sempre uma postura de independência relativamente aos vários movimentos literários com que a sua obra coexistiu ao longo de mais de cinquenta anos de actividade poética.

Revelando-se em 1948, com As Mãos e os Frutos, a que se seguiria, em 1950, Os Amantes sem Dinheiro, o seu nome não se encontra vinculado a nenhuma das publicações que marcaram, enquanto lugar de reflexão sobre opções e tradições estéticas, a poesia contemporânea, embora tenha editado um dos seus volumes, As Palavras Interditas, na colecção “Cancioneiro Geral” e tenha colaborado em publicações como Árvore, Cadernos do Meio-Dia ou Cadernos de Poesia.
É, aliás, nesta última publicação, editada nos anos quarenta, que se firmam algumas das vozes independentes, como Ruy Cinatti, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Jorge de Sena, que inaugurariam, no século XX, essa linhagem de lirismo depurado, exigente, atento ao poder da palavra no conhecimento ou na fundação de um real dificilmente dizível ou inteligível, em que Eugénio de Andrade se inscreve.

19. Eugénio de Andrade, por Emerenciano 1988 a

Foi um dos poetas portugueses mais lidos e traduzidos, mantendo ao longo de uma longa e fecunda carreira uma certa unidade de temas e de recursos formais.

Eugénio de Andrade surgirá, assim, como o poeta da “correlação do corpo com a palavra” (Carlos Mendes de Sousa), da sexualidade trabalhada verbalmente até atingir uma “zona gramatical cega” (Joaquim Manuel Magalhães) onde o referido sexual não tem género gramatical referente porque o discurso em que vive pertence já a uma dimensão cuja musicalidade representa a recuperação de uma voz materna intemporal.

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Eugénio de Andrade foi elemento da Academia Mallarmé (Paris) e membro fundador da Academia Internacional “Mihail Eminescu” (Roménia). Para além de tradutor de vários autores, cujas obras recriou poeticamente (García Lorca, Safo, Borges), e organizador de várias antologias poéticas, é autor de obras como Os Afluentes do Silêncio (1968), Rosto Precário (1979), À Sombra da Memória (1993) (em prosa), As Mãos e os Frutos (1948), As Palavras Interditas(1951), Ostinato Rigore (1964), Limiar dos Pássaros (1976), Rente ao Dizer(1992), Ofício da Paciência (1994), O Sal da Língua (1995) e Os Lugares do Lume(1998).

Em 2001, a 10 de maio, Eugénio de Andrade foi homenageado na Universidade de Bordéus por altura da realização do “Carrefour des Littératures”, tendo sido considerado um dos mais importantes escritores do século XX.

Estiveram presentes várias ilustres personalidades, entre elas o então Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio. A 10 de julho foi distinguido com o Prémio Camões e, ainda no mesmo ano, foi lançado um CD com poemas recitados pelo próprio autor.

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Em 1991, foi criada na cidade do Porto a Fundação Eugénio de Andrade. Para além de ter servido de residência ao poeta, esta instituição tem como principais objectivos o estudo e a divulgação da obra do autor assim como a organização de diversos eventos como, por exemplo, lançamentos de livros, recitais e encontros de poesia.

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