Banksy o artista desconhecido mais conhecido mundialmente

13 de Abril  1973

Banksy, “grafitter”, pintor, activista político e director de cinema britânico, é conhecido mundialmente por espalhar obras de arte irreverentes nas ruas, que modificaram concepções, incitaram à reflexão e alteraram a forma como os “graffitis” são vistos hoje em dia. O artista dá cor às ruas com “graffitis” de diferentes estilos, instalações, “stickers” e outros géneros de projectos artísticos, que têm o propósito de elaborar duras e sarcásticas críticas à política, à sociedade em geral e à guerra do mundo contemporâneo.

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Apesar do seu trabalho ter começado em Bristol, no interior de Inglaterra, as suas obras difundem-se pelos muros de todo o mundo: da Europa aos Estados Unidos da América, de Londres a Nova Iorque, de Los Angeles a Israel. Este facto, aliado ao anonimato do artista, faz com que a sua descrição seja a sua própria localização: “De Banksy, importa menos a pessoalidade; sua descrição é sua localização; ele é sua localidade.” (Schneedorf, José)

Apesar de toda a fama, que lhe é concedida pelo seu admirável trabalho, Banksy não deixa de ser um incógnito para a humanidade. Se uns dizem que “o homem por trás do muro” se chama Robert Banks, que ronda os 40 anos de idade e é natural de Bristol, outros afirmam que se trata de Robin Banks, nascido em Bristol, em 1973, havendo ainda quem prefira Robden. “But, who knows?”

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Banksy acredita que “os maiores crimes do mundo não são cometidos por pessoas quebrando as regras, mas por pessoas seguindo as regras.”. As suas obras contra a autoridade e o poder estão carregadas de significado social. O artista procura, através de telas e murais, elaborar, de forma agressiva e sarcástica, um conjunto de críticas sociais, comportamentais e políticas. Banksy pretende criar uma ponte de ligação e uma sensação de identidade com os seus observadores. Apesar de não seguir o ramo da caricatura, a primeira reacção de quem observa as suas obras é de riso espontâneo e genuíno.

Mas as ruas não são o único espaço de actuação artística. O artista de guerrilha ‘apodera-se’ de outros espaços públicos, nomeadamente parques de diversão, jardins zoológicos, museus, entre muitos outros. “Brincar em espaços públicos é quebrar as regras, é invadir as emoções pessoais e sensibilidades de alguém sobre o que deveria ser, de outro modo anónimo, funcional e aborrecidamente quotidiano.” (McCormick, Carlo)

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Assim, Banksy faz parte do naipe de artistas audazes que recorrem à arte de rua como forma de manifestação/protesto: “A obscuridade de Banksy tira partido das necessidades de segurança e liberdade – que caracterizam aqueles em guerrilha – para ter independência moral e intelectual, reger-se por leis próprias, escolher sua conduta, e para romper com o domínio da individualidade autoral, em escala mínima, mas em alcance (co)letivo” (Schneedorf, José).

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As críticas políticas e sociais, realçadas nos seus trabalhos em conjunto com a avaliação de todas as suas obras, designam o seu trabalho como um género de vandalismo. Nesse seguimento, criaram o termo brandalism” para caracterizar o “vandalismo” exercido por Banksy.

A verdade é que nem todos percebem a essência das suas obras, existindo uma relação de amor/ódio para com o artista. “É comummente chamado de arte-terrorista, de artista de guerrilha, no que os termos comportem em nossos dias. Seu método é lacónico, objectivo; flui pela imediaticidade de mensagem. Denota imanência, ciência de si e autos suficiência.” (Schneedorf, José)

O seu objectivo é incitar à reflexão e à transformação de concepções, a partir de um modo de exposição único e de acções polémicas repletas de significação social. Desta forma, a sua constante ironia, audácia e feitio sorrateiro fazem de Banksy o artista desconhecido mais conhecido mundialmente.

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