Manuel Noriega, ditador e traficante de droga, é condenado a 40 anos de prisão

9 de Abril  1992

Em 1968 participou no golpe militar em que foi deposto o Presidente Arnulfo Arias, que morreu em 1981 num acidente de avião no qual se suspeita que o próprio Noriega tenha estado envolvido. Anos mais tarde, em 1986, o antigo ditador do Panamá terá sido informador de Washington e recebido dinheiro da CIA, mas longe vão os tempos de colaboração com os EUA.

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Já era suspeito de ligações ao narcotráfico quando o Governo de George Bush (pai) deu luz verde à invasão do Panamá para o depor, em 1989, através de uma operação chamada “Causa Justa”. Cerca de 24 mil soldados norte-americanos invadiram o país, Noriega refugiou-se na embaixada do Vaticano mas viria a render-se poucos dias depois, a 3 de Janeiro de 1990.

Nos EUA foi condenado a 40 anos de prisão, pena que acabou por ser reduzida para metade e depois para 17 anos. Finda a pena, os EUA acabaram por extraditá-lo para França, como tinha sido pedido pelo Governo de Paris.

Coverage From Panama

O Panamá também já pediu a extradição do general, que no seu país foi condenado a 54 anos de detenção pelo assassínio e desaparecimento de opositores durante os anos da ditadura, de 1968 a 1989.

Noriega ficou preso nos Estados Unidos por 20 anos. Em 2010, foi extraditado para a França, e no ano seguinte, voltou ao Panamá, onde continua cumprindo sua sentença de 40 anos de prisão. Contudo, o regresso ao país natal também permitiu à família iniciar uma série de ofensivas visando a libertação do ex-militar, ou o benefício de prisão domiciliar, alegando bom comportamento e, ironicamente, razões humanitárias, devido à sua idade avançada – ele tem 81 anos e um estado de saúde delicado, devido a um quadro de hipertensão arterial agravado depois de três acidentes vasculares cerebrais.

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