1461 – A Guerra das Rosas

4 de Março  1461

A Inglaterra ficou dividida na metade do século XV. Nobres disputavam o trono e duas dinastias, representadas por uma cor da rosa, acabaram por se enfrentar em batalhas que duraram anos, num histórico de traições, golpes e muita violência.

William de la Pole era um dos homens mais importantes da Inglaterra. Construiu a sua reputação e carreira militar na Guerra dos Cem Anos e chegou a comandar o cerco de Orléans, em 1429. A ascensão rápida valeu lhe um cargo na corte de Henrique VI e logo se tornou no duque de Suffolk e braço direito do rei. O vento mudou de lado quando a Inglaterra começou a colecionar fracassos nos campos de batalha. O seu nome passou a ser associado às derrotas e, em 1450, acabou preso e degolado.

A morte de Suffolk é um retrato da Inglaterra na metade do século XV, um país tomado pela violência. O fim da Guerra dos Cem Anos fez voltar ao reino uma turba de soldados habituados a proveitosos saques. Eram assassinos dispostos a lutar por qualquer causa, ainda que ela não fosse a mais justa. E não faltavam também na Inglaterra dessa época lordes com um projeto de poder. Tudo porque o direito sucessório havia sido rasgado e jogado no lixo desde que o duque de Lancaster liderou um golpe de estado, em 1399. Ele depôs o primo, o rei Ricardo II (1377-1399), e coroou se como Henrique IV (1399-1413). A partir de então, a Inglaterra passou a ser comandada por um usurpador. A sua coroação, com a chancela do Parlamento e o aval da Igreja, abriu uma brecha legal para que outros interessados, como os nobres da outra dinastia, os York fariam anos depois, reivindicassem o trono. Assim, o país tinha duas cargas perigosas: a confusão sucessória e o retorno dos soldados. O barril de pólvora estava armado. Os cavaleiros que retornaram para casa encontravam ocupação em exércitos privados, formados por lordes locais. Era a senha para uma guerra civil. Só faltava o elemento detonador – fardo que coube a Henrique VI (1422-1461).

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Henrique VI definitivamente não era talhado para tempos tão rudes. Rezava muito antes de cada refeição e mantinha sempre à mesa uma imagem de Cristo. Não dava a menor importancia para a guerra e as rivalidades entre os barões do reino. A sua felicidade consistia em ir à missa e estudar teologia. Em 1440, fundou a tradicionalíssima Escola de Eton e, cinco anos depois, mandou construir a capela do King’s College, em Cambridge. A falta de apego pelas coisas terrenas e todos esses empreendimentos arruinaram as finanças reais. Enquanto nobres e mercadores enchiam os cofres de dinheiro, o rei vivia endividado. Em 1451, Henrique teve de pedir emprestado para celebrar o Natal.

Um rei tão ingênuo assim seria presa fácil para cavaleiros e barões sem escrúpulos. O primeiro que se apresentou para derrubar Henrique I foi seu primo Ricardo, duque de York. “A razão era simples. A coroa havia sido tomada pelos reis lancasterianos, e Eduardo achava se no direito de ser rei também”, diz Charles Derek Ross, autor de The Wars of the Roses – A Concise History (sem tradução). Em 1455, ele liderou 3 mil homens na direção de Londres. À frente do batalhão, o brasão da Casa de York: uma rosa branca. As suas tropas foram interceptadas na vila de Saint Albans pelos soldados do rei, que levavam o estandarte dos Lancaster: a rosa vermelha.

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