Em 1963 a Banda Desenhada “Mónica” faz a sua estreia

3  de Março  1963

A Turma da Mónica (Mónica no original) corresponde a diversas personagens de banda desenhada (BD) criadas pelo brasileiro Maurício de Sousa a partir de 1963.
Mónica é a mais famosa personagem de BD alguma vez criada no Brasil. Dentuça, de cabelinho curto e de vestido vermelho sem bolsos, nunca larga o seu inseparável coelhinho de peluche azul (Sansão), que tanto serve para brincar com as amigas como de arma de arremesso para os meninos que se metem com ela. Aliás, a sua força coloca mesmo a rapaziada em “sentido”.

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As primeiras criações da Turma da Mónica foram o Franjinha e o seu cão Bidu, que apareceram numa BD diária do jornal Folha da Manhã, em 1959. Seguiu-se o popular Cebolinha, o menino carequinha que só tem cinco cabelos espetados e que troca os “erres” pelos “eles” (“celto!”) e, em 1963, surgiu a Mónica nas BDs do Cebolinha. Outras personagens foram aparecendo ao longo dos anos, como o Cascão, que tem uma impressionante aversão ao banho e à limpeza, Chico Bento ou a pacata Magali, sempre muito comilona.

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Para a fisionomia e os nomes destes miúdos, Maurício inspirou-se em crianças reais, como as suas filhas ou outros miúdos que conheceu.
Os anos 60 do século XX foram marcados pela publicação das histórias em BDs nos jornais, difundidos por todo o Brasil, em mais de 200 títulos. Em 1970 deu-se o grande “salto”, com a publicação de revistas próprias, inicialmente da Editora abril e depois da Globo. Com os nomes de Mónica (1970), Cebolinha (1973), Cascão e Chico Bento (ambas em 1982) e Magali (1989) as tiragens impuseram-se e outros títulos surgiram. 35 anos depois da primeira revista (Mónica) eram quase duas dezenas os títulos com as mais de 200 personagens de Maurício de Sousa.
Com um volume de trabalho cada vez maior, Maurício de Sousa constituiu um estúdio onde supervisiona toda a produção, que entretanto se alargou a outras áreas: audiovisual, produtos derivados, Parque da Mónica (em São Paulo), publicidade, brinquedos, teatro, entre outras. No caso dos desenhos animados, depois do Brasil, conquistaram popularidade também em Itália.
Prova da atenção dada à realidade do Brasil, é frequente a associação das personagens da Turma às mais diversas campanhas, como vacinação, higiene, educação, direitos das crianças, fome ou ambiente. A produção dessas campanhas é confiada ao Instituto Maurício de Sousa, o “braço” social do verdadeiro grupo empresarial do autor, registando-se a edição de revistas e outro material especialmente concebido para o efeito com tiragens muito consideráveis (de milhões de exemplares). Por isso não são de estranhar os galardões que Mauricio de Sousa tem recebido pelo seu trabalho social mas também enquanto autor de BD.
A colecção de pintura “História em Quadrões” corresponde a quadros de grandes dimensões representando pinturas famosas, utilizando as personagens da Turma, tendo sido exposta em diferentes locais do Brasil.
Uma vez que as diversas publicações de Quadrinhos (BD no Brasil) são uma presença habitual nos quiosques nacionais, nunca houve necessidade de aparecerem versões portuguesas, exceptuando-se o volume da Colecção “Os Clássicos da Banda Desenhada”, editado pela Panini Comics e Devir em 2004.
Maurício de Sousa já esteve em Portugal, marcando presença no Festival Internacional de BD da Amadora em 2003, onde foi visível a sua popularidade.

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