Incendio no edificio “Joelma” causa cerca de 200 mortos – S. Paulo – Brasil

1 de Fevereiro 1974

Incêndio no Edifício Joelma foi um incêndio ocorrido a 1 de Fevereiro de 1974 num edifício em S. Paulo, que provocou a morte de 191 pessoas e deixou mais de 300 feridos.

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Concluída a sua construção, em 1972, o Edifício Joelma foi imediatamente alugado ao Banco Crefisul de Investimentos . No começo de 1974 a empresa ainda terminava a transferência dos  seus departamentos quando, no dia 1 de Fevereiro, uma chuvosa sexta-feira às 8h45  da manhã, um curto circuito num aparelho de ar condicionado no 12° andar deu início a um incendio  que rapidamente se espalhou pelos demais andares. As salas e escritórios do Joelma eram configurados por divisórias, com móveis de madeira, pisos alcatifados, cortinas de tecido e forros internos de fibra sintética, condições que contribuíram de sobremaneira para o alastramento incontrolável das chamas.

Quinze minutos após o curto-circuito era impossível descer as íngremes escadas que, localizadas no centro dos pavimentos, não tardaram a serem bloqueadas pelo fogo e a fumaça . Os corredores, por sua vez, eram estreitos. Na ausência de uma escada de incêndio, muitas pessoas ainda conseguiram se salvar ao contrariar as normas básicas e descer pelos elevadores, mas estes também logo deixaram de funcionar, quando as chamas provocaram a avaria no sistema elétrico dos aparelhos e a morte de uma funcionária no 20° andar .

Nos braços da mãe, que saltou para a morte no 15° andar, uma criança de um ano e meio foi salva em um dos episódios mais dramáticos do incêndio. A multidão acompanhou o salto bem em frente ao prédio. O choro da criança, levada imediatamente ao Hospital das Clínicas, foi ouvido logo após o impacto da queda.

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O corpo de bombeiros recebeu a primeira chamada às 9h03 da manhã. Dois minutos depois, viaturas partiram de quartéis próximos, mas devido a condições adversas no trânsito só chegaram ao local às 9h10, quando as chamas já atingiam o 20° andar e várias pessoas começaram a se atirar do prédio .

O socorro mobilizou 1.500 homens, entre bombeiros e tropas de segurança, as equipas de cinco hospitais estaduais e outros particulares, quatorze helicópteros, trinta e nove viaturas e todas as ambulâncias da rede hospitalar.

De acordo com o testemunho de um bombeiro, passava das dez da manhã quando os corpos começaram a cair assustadoramente. Todos queriam sair do edifício de qualquer maneira. Alguns chegaram a saltar três andares, com o risco de cairem, para alcançar os andares inferiores onde chegavam as Magirus. O primeiro a atirar se estava no 15° andar. Durante mais de uma hora ele gritou por socorro, desesperado, por vezes encoberto pelo fumo. Pessoas apavoradas tentavam fazer cordas com tiras de pano, que acabavam arrebentando, não resistindo ao peso do corpo humano.

Os cadáveres amontoavam se na rua cobertos por cobertores, jornais e capas de chuva. Vários minutos depois, um camião da polícia e algumas ambulâncias recolheram os primeiros cadáveres e os levaram ao Instituto Médico Legal. No 8° andar os bombeiros encontraram pelo menos onze cadáveres abraçados. O fogo tinha praticamente soldado os corpos .

No 12° andar, dezassete pessoas que o capitão Mazzelli, comandante do COE, pretendia salvar, já estavam mortas quando ele chegou.

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A parte do edifício que compreendia os escritórios da Crefisul foi totalmente destruída, mas estava segura na Companhia Seguradora Santa Cruz. Os sete primeiros andares, de garagens, não foram atingidos pelas chamas. Essa parte, administrada pela Joelma, formava um bloco quase isolado do restante do edifício, tendo portas de emergência e de interligação. Todos os dezassete empregados do estacionamento se salvaram. Dos aproximadamente 756 ocupantes do edifício, 191 morreram e mais de 300 ficaram feridos . A grande maioria das vítimas era formada por funcionários do Banco Crefisul de Investimentos .

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