“As Pupilas do Sr. Reitor “ – Júlio Diniz

25 de Janeiro 1866

A história dos amores e dos desencontros das órfãs Clara e Guida educadas por um velho pároco, no cenário da vida campestre portuguesa do século XIX. Cenário este, povoado por personagens cuja bondade só é maculada pelo moralismo quase ingénuo de “comadres intriguistas” que contribuem para o conflito amoroso.

Lançado como livro em 1866, o primeiro romance de Júlio Dinis “As Pupilas do Senhor Reitor” encontram-se não só entre as obras de maior sucesso do autor, como é também um dos romance mais vendidos dos séculos XIX  e XX em Portugal. Parte desse êxito encontra-se, em parte, no estilo literário empregue, muito afastado da escrita erudita e rebuscada de outros romances da época. Utilizando o uso de chavões, expressões e descrição de costumes rurais, é visível que a obra foi claramente dirigida à classe popular – um modelo de escrita posteriormente usado por muitos outros autores. No entanto, não há neste romance, tal como em nenhum dos outros romances de Júlio Dinis, uma incursão no estilo realista ou naturalista – movimentos que ganhavam elevo nos círculos literários da altura -, muito pelo contrário. Júlio Dinis apresenta-nos a sua visão bucólica,  pitoresca e romântica da vida, não descrevendo as dificuldades da vida campesina, não fazendo denúncias de foro social ou criticando costumes e mentalidades, como fazia Eça de Queirós, praticamente na mesma altura. No entanto, o romance, “As pupilas do Sr. Reitor” tal como os seguintes, revela um profundo conhecimento do autor relativamente a hábitos locais, expressões e costumes próprios do cenário que descreve, isto porque Júlio Dinis criava efectivamente narrativas de lugares que conhecia e amava, (neste caso, a zona de Ovar), sem quaisquer pretensões de agitar ou modelar consciências mas apenas de entreter e de deleitar.

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Meme de Júlio Dinis - Há aparências de dureza

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