1547 – Ivan IV“O Terrível” proclamado Czar da Rússia

16 de Janeiro 1547

Nasceu em 25 de Agosto de 1530, em Kolomenskoye, perto de Moscovo [Rússia], morreu em 18 de Março de 1584, em Moscovo.

Filho do grão-duque Vassili III de Moscovo e da sua segunda mulher, Yelena Glinskaya,  foi o penúltimo representante da dinastia Rurik. Em 4 de Dezembro de 1533, imediatamente após a morte do seu pai, tendo três anos de idade, Ivan foi proclamado grão-príncipe de Moscovo. A mãe regeu a Rússia em nome do filho até à sua morte em 1538, possivelmente por envenenamento. A morte dos pais serviu para reavivar as lutas das várias facções de nobres pelo controlo da pessoa do príncipe e do poder.

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Em 16 de Janeiro de 1547, Ivan foi coroado czar e grão-príncipe de toda a Rússia. O título czar foi obtido a partir do título latim caesar (César) e foi traduzido pelos contemporâneos de Ivan como “imperador”. Em Fevereiro de 1547 Ivan casou-se com Anastasiya Romanovna, tia-avó do futuro primeiro czar da dinastia Romanov.

Ivan foi grandemente influenciado, pelo menos desde 1542, pelas ideias do bispo metropolita de Moscovo, Makari, que incentivou o jovem czar a estabelecer, como desejava, um estado cristão baseado nos princípios da justiça. O governo de Ivan iniciou um vasto programa de reformas e de reorganização da administração central e local.

Um dos objectivos das reformas era o de limitar os poderes da aristocracia hereditária de príncipes e boiardos (que continuaram a manter as suas propriedades hereditárias) e promover os interesses da aristocracia de serviço, que recebeu as suas terras como compensação pelo serviço governamental e que passou a estar, assim, dependente do czar. Todas as reformas ocorreram sob a égide do chamado “Conselho Escolhido”, um órgão consultivo informal em que as principais figuras eram os favoritos do czar Aleksey Adashev e o padre Silvestre. A influência do conselho foi diminuindo até que desapareceu completamente no início de 1560, após a morte da primeira mulher de Ivan e de Makari, altura em que as ideias de Ivan assim como o núcleo dos seus principais seguidores tinham mudado. A primeira mulher de Ivan, Anastasiya, morreu em 1560, e apenas dois herdeiros do sexo masculino, Ivan (n. 1554) e Fyodor (n. 1557), sobreviveram aos enormes rigores da infância naquela época.

As primeiras execuções de Ivan surgiram, aparentemente, devido à sua decepção com o curso da Guerra da Livónia e a suspeita da traição de vários boiardos. A deserção de um dos seus melhores comandantes, o príncipe Andrey Kurbsky para a Polónia, em 1564, parece ter perturbado o czar, que anunciou mais tarde a sua intenção de abdicar, devido à traição dos boiardos. Os moscovitas, no entanto, liderados pelo clero, imploraram-lhe que continuasse a governar e, em 1565, aceitou o pedido com a condição de que puderia lidar com os traidores como desejava. Seria autorizado a formar uma Oprichnina, isto é, a organizar um território que seria administrado separadamente do restante território do principado e colocado sob seu governo directo, como terra da coroa. Um corpo de guarda-costas de 1.000 a 6.000 homens, conhecido como oprichniki, foi recrutado, e cidades e distritos específicos em toda a Rússia foram incluídos no Oprichnina, sendo as receitas provenientes destes territórios atribuídas à manutenção da nova corte do czar e dos que o serviam; corte formada por um número cuidadosamente seleccionado de boiardos e de nobres de serviço. Ivan vivia exclusivamente no interior desta nova corte deixando a administração diária da Rússia (agora chamada zemschina, ou terra), que colocou nas mãos dos principais dirigentes boiardos e de administradores. Ivan deixou praticamente de comunicar com eles, enquanto o oprichniki atacava impunemente todos os que não faziam parte do círculo imediato do czar.

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Durante a década de 1570 casou-se cinco vezes, em rápida sucessão. Finalmente, num acesso de raiva, matou o seu único herdeiro viável, Ivan, em 1581. Este assassinato despoletou a crise política que começou com a extinção da dinastia Rurik após a morte do seu segundo filho o doente Fyodor, em 1598.

As conquistas do czar Ivan foram muitas. Na política externa, todas as suas acções dirigiram-se a forçar a ligação da Rússia à Europa, uma linha que Pedro I, o Grande, continuou. Internamente, o reinado de terror de Ivan acabou por resultar no enfraquecimento de todos os estratos aristocráticos, mesmo da nobreza de serviço que ele tinha patrocinado. A longa e mal sucedida Guerra da Livónia ultrapassou os recursos do Estado e quase levou a Rússia à bancarrota. Estes factores, juntamente com as incursões dos tártaros, tiveram como resultado o despovoamento de várias províncias russas à data da morte de Ivan, em 1584. No entanto, deixou o país muito mais centralizado, tanto administrativa como culturalmente.

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