Portugal assina Tratado de Methuen

27 de Dezembro 1703

Ficou conhecido como Tratado de Methuen, ou tratado de Panos e Vinhos, um acordo entre Portugal e Inglaterra vigente entre 1703 e 1836 e que envolvia a troca entre os produtos têxteis ingleses e o vinho português. O seu nome é uma referência ao embaixador britânico que dirigiu as respectivas negociações. O tratado é muitas vezes mencionado como um dos factores de supressão da indústria portuguesa e consequente dependência da economia do país à britânica, levando em última instância a economia portuguesa a uma estagnação. Aliás, uma das principais consequências deste tratado foi o abandono da política de fomento industrial do conde de Ericeira.

Acredita-se que os resultados do tratado foram desfavoráveis a Portugal porque os panos ingleses eram fabricados com técnica apurada, muito superiores aos produzidos pela indústria portuguesa. Além disso, o acréscimo na exportação de vinho, decorrente do acordo não bastou para equilibrar a balança comercial entre ambos os países, acarretando enormes prejuízos aos lusitanos, pois, além do consumo pelos ingleses de seus vinhos jamais ter alcançado a mesma cota do consumo de tecidos ingleses, as suas terras cultiváveis foram, em grande parte, transformadas em vinícolas, causando uma escassez de alimentos a ponto de se recorrer à importação.

Portugal não tinha quase nenhuma indústria, quase todos os produtos manufacturados consumidos em Portugal eram comprados na Inglaterra por preços altos. Restava como o seu produto principal o vinho, que Portugal vendia aos ingleses, mas que não era suficiente para pagar tudo o que importava.

Portugal devia muito dinheiro aos ingleses e, além disso, o comércio com os ingleses era muito importante para a economia portuguesa. Por causa disso, Portugal ficou cada vez mais dependente da Inglaterra, e para pagar as suas dívidas, restava apenas recorrer ao ouro que obtinha do Brasil. A parte do ouro que ficava no Brasil era pequena, e aquela destinada a Portugal também não permanecia lá. Portanto, quem mais se beneficiou com o ouro brasileiro foi a Inglaterra.

Assim, Portugal, que poderia ter se tornado uma potência económica com o ouro explorado do Brasil, acabou por se tornar muito dependente da economia inglesa, entrando num declínio económico e político do qual não mais sairia.

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