Desastre de Bhopal – 22 mil mortos O maior desastre químico do mundo

3 de Dezembro 1987

Na noite entre dois e três de Dezembro de 1984, cerca de 40 toneladas de metil isocianato e outros gases letais libertaram se da fábrica de agrotóxicos da Union Carbide Corporation, em Bhopal, Índia. Foi o pior desastre químico da história. Estima-se que entre 3,5 e 7,5 mil pessoas morreram em consequência  da exposição directa aos gases, mas o número exacto continua incerto, algumas fontes citam mais de 22 mil mortes no decorrer dos anos seguintes. Infelizmente, a noite do desastre foi apenas o início de uma tragédia, cujos efeitos se estendem até hoje. A Union Carbide, que possuía a fábrica de agrotóxicos na época do derrame dos gases, abandonou a área, deixando para trás uma grande quantidade de venenos perigosos. Os moradores de Bhopal ficaram com fornecimento de água contaminada e um legado tóxico que ainda hoje causa prejuízos.

APR 24 1947, OCT 12 1954, NOV 13 1984, DEC 16 1984; Here is the second of a series of four famous disaster pictures for The Denver Post - Paramount Theater suddenly contest being held in connection with the showing of the United Artists film." Can you identify this picture?; Texas City Disaster;  (Photo By The Denver Post via Getty Images)

A Union Carbide tentou se livrar da responsabilidade pelas mortes provocadas pelo desastre pagando compensações inadequadas ao Governo da Índia. Hoje, mais de 20 mil pessoas moram na região e uma segunda geração de crianças continua a sofrer os efeitos da herança tóxica deixada pela empresa. Desde então, cerca de 16 mil pessoas morreram e mais de meio milhão ficaram feridas.

Dois funcionários da filial indiana da indústria química Union Carbide, instalada em Bhopal, na paupérrima região central da Índia, iniciaram a limpeza externa dos três tanques de aço inoxidável onde a empresa armazenava a sua produção diária de isocianato de metila – composto altamente tóxico utilizado como matéria prima na fabricação de pesticidas agrícolas.

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Um alarme soou, dando sinal de que a válvula de segurança de um dos tanques se rompera. A pressão aumentava no tanque e de imediato um dispositivo automático disparou o antídoto previsto para tais casos: um sistema de aspiração que deveria transferir a substância letal para um depósito de 15 metros de altura onde uma solução neutralizaria os seus efeitos danosos para a saúde. Mas algo de errado se passou. Os funcionários perceberam que a pressão no tanque continuava a aumentar vertiginosamente: a operação de transferência falhara.

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Os funcionários não ligaram as mangueiras destinadas a arrefecer o tanque. Em vez disso, fugiram. Eles sabiam que tinha acabado de se concretizar o que pode acontecer de pior com o isocianato de metila: passar do estado líquido para o estado gasoso, transformando-se num assassino silencioso e devastador. Rapidamente, uma nuvem de gás venenoso surgiu e levada pelas brisas noturnas, em poucos minutos a massa gasosa pairava sobre o território vizinho da fábrica, ocupado pelo bairro Jayaprakash Nagar, um amontoado de quase 2.000 barracos miseráveis. Quando o sol apareceu na segunda-feira, uma área de 40 quilômetros em torno da Union Carbide transformara-se numa letal câmara de gás.

FILE - In this Dec. 5, 1984 file photo, two men carry children blinded by the Union Carbide chemical pesticide leak to a hospital in Bhopal, India. An Indian court on Monday, June 7, 2010 convicted seven former senior employees of Union Carbide's Indian subsidiary of "death by negligence" for their roles in the Bhopal gas tragedy that left an estimated 15,000 people dead more than a quarter century ago. (AP Photo/Sondeep Shankar, File)

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