A Super Model Gia Carangi morte trágica

18 de Novembro 1986

Mais nova de três filhos e a única rapariga, o seu pai, Joseph Carangi, Italiano, era dono de um restaurante. A sua mãe, Kathleen, era dona de casa, de ascendência Irlandesa e Francesa. Seus pais tinham um casamento instável e violento, o que fez com que a mãe abandonasse a família quando Gia tinha apenas onze anos. As pessoas que a conheceram culpavam a sua infância desestruturada pela instabilidade emocional e dependência química que veio a caracterizar a sua vida adulta. Ela foi descrita como “carente e manipuladora” por parentes, que se lembravam dela como uma criança mimada e tímida e uma “menininha da mamã” que não recebeu a atenção maternal que desejava.

Quando fazia o curso básico na Abraham Lincoln High School, Gia ligou se a um grupo chamado “Bowie kids”, adolescentes fãs de David Bowie que imitavam o ídolo nas atitudes estranhas, no comportamento, nas roupas e no estilo “glam. Ela foi atraída para Bowie pelas preferências de moda e pelo estilo sexual ambíguo do cantor e da sua assumida  bi sexualidade. Ela e os seus amigos “Bowies” frequentavam bares e clubes gays de Filadélfia e, apesar de ligada à comunidade lésbica da cidade, Gia nunca quis assumir o “estilo lésbico aceite socialmente”.

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Depois de começar a posar para anúncios em jornais locais da Filadélfia, mudou-se para Nova Iorque com 17 anos e rapidamente conseguiu proeminência. Em questão de poucos meses, tornou-se uma das modelos favoritas de fotógrafos famosos, como Richard Avedon, Helmut Newton,Francesco Scavullo e Chris von Wangenheim. Bem entrosada dentro do mundo da moda, era escolhida para trabalhos pelos melhores fotógrafos, especialmente Scavullo. No fim de 1978, com 18 anos, já era uma modelo de sucesso.

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Trabalhando constantemente para as melhores revistas e os mais sofisticados anunciantes, no fim de 1978 ela era uma figura constante em lugares como o Studio 54 e adquiriu um vício em cocaína, passando depois para a heroína. Os seus colegas de trabalho passaram a chamá-la de Sister Morphine (“Irmã Morfina”). Em outubro desse mesmo ano ela fez as suas primeiras fotos com o famoso Chris von Wangenheim, que a colocou posando nua atrás de uma cerca de arame junto com a maquilhadora  Sandy Linter. Gia encantou-se imediatamente por Linter e passou a persegui-la, criando uma relação amorosa que nunca conseguiu ser estável.

Aos 18/19 anos ganhava cerca de US$100.000 anuais, um fortuna na época anterior ao surgimento das supermodelos milionárias, como Linda Evangelista, Cindy Crawford ou Claudia Schiffer. Gia fazia os melhores trabalhos, revistas como a Vogue e grifes de alta costura  como Versace. O seu humor era lendário e trabalhar com ela podia ser caótico.

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Em Novembro de 1980, a carreira de Gia estava em franca decadência. Os trabalhos cessaram e até os seus melhores amigos da indústria, como a maquiadora Linter, deixaram de falar com ela, temerosos de que sua associação com Gia pudesse prejudicar as suas carreiras. Faz um breve contrato com a Ford Models, mas depois de duas semanas foi demitida. Numa tentativa de largar a heroína, voltou para a Filadélfia para morar com a mãe e o padrasto em Fevereiro de 1981.

Como havia gasto quase todo o dinheiro ganho como modelo em drogas, Gia passou os seus últimos três anos vivendo com parentes, com amigos ou com namorados e namoradas em Filadélfia. Em Dezembro de 1984, a modelo foi admitida para intenso programa de desintoxicação química no Eageville Hospital. Depois do tratamento, conseguiu um emprego numa loja de roupas mas demitiu-se em pouco tempo. Depois trabalhou como caixa de loja e numa cafetaria de um lar de idosos. No meio de 1985, voltou ao consumo de drogas. Em Junho de 1986, deu entrada no Warminster General Hospital com pneumonia dupla. Poucos dias depois, foi diagnosticada como portadora do vírus da AIDS.

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Em 18 de Outubro de 1986 ela deu entrada no Hahnemann University Hospital. Sem dinheiro, foi internada como indigente aos cuidados do Estado. A doença a fez perder peso, dentes, cabelo, ter hemorragias internas e manchas e tumores em todo corpo provocadas pelo Sarcoma de Kaposi. Sua mãe esteve o tempo todo a seu lado. Um mês depois, em 18 de Novembro, Gia morreu por complicações causadas pelo vírus HIV. Ela foi enterrada em 23 de Novembro numa pequena cerimonia na sua cidade natal. Ninguém do mundo da moda compareceu ao enterro, porque ninguém ficou a saber de sua morte até algum tempo depois Scavullo, mentor, amigo e confidente, foi o único a mandar um cartão à família quando soube da notícia.

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