Alexander Fleming descobre a Penicilina

15 de Setembro 1928

Alexander Fleming, bacteriologista do St. Mary’s Hospital, de Londres, vinha há algum tempo pesquisando substâncias capazes de matar ou impedir o crescimento de bactérias em feridas infectadas. A preocupação justificava se  pela experiência adquirida na Primeira Guerra Mundial, na qual muitos combatentes morreram em consequência de infecção em ferimentos profundos.

Em 1928, Fleming desenvolvia pesquisas sobre estafilococos, quando descobriu a penicilina. O feito aconteceu em condições bastante peculiares, graças a uma sequência de acontecimentos imprevistos e surpreendentes.

Em Agosto daquele ano, Alexander Fleming saiu de férias e esqueceu no seu laboratório de algumas placas com culturas de microrganismos, ao invés de guardá-las no frigorífico ou inutilizá-las, como seria natural.

Quando retornou, em 15 de Setembro, percebeu que uma das culturas de Staphylococcus tinha sido contaminada por um bolor, e em volta das colónias deste não havia mais bactérias.
Quando foi ao laboratório do colega dr. Pryce para contar o acontecido, Fleming notou que em uma das placas havia um brilho transparente em torno do mofo contaminante. Em estudos posteriores, Fleming e dr. Pryce descobriram um fungo do género Penicillium, e demonstraram que ele produzia uma substância responsável pelo efeito bactericida: a penicilina.

Alguns anos mais tarde, Ronald Hare, colega de trabalho de Fleming, tentou, sem êxito, “redescobrir” a penicilina em condições semelhantes às que envolveram as pesquisas de Fleming. Após um grande número de experiências verificou que a descoberta da penicilina só se tornou possível graças a uma série inacreditável de coincidências, entre elas:

– O fungo que contaminou a placa, como se demonstrou posteriormente, é um dos três melhores produtores de penicilina dentre todas as espécies do gênero Penicillium;

– O fungo contaminante teria vindo pela escada do andar inferior, onde se realizavam pesquisas sobre fungos;

– O crescimento do fungo e dos estafilococos aconteceu lentamente, condição necessária para se evidenciar a desintegração bacteriana;

– Em agosto daquele ano, em pleno verão, sobreveio uma inesperada onda de frio em Londres, que proporcionou a temperatura ideal ao crescimento lento da cultura;

– A conversa com o dr. Pryce no laboratório permitiu que Fleming reexaminasse as placas contaminadas e observasse o brilho transparente em torno do fungo, antes de sua inutilização.

Com a descoberta da penicilina, o primeiro homem a ser tratado com o antibiótico foi um agente da polícia que sofria de septicemia, uma infecção grave no organismo, com abcessos disseminados, condição normalmente letal naquela época. O paciente melhorou bastante após a administração do fármaco, mas faleceu quando as reservas iniciais de penicilina se esgotaram.

Em 1945, Fleming recebeu o Prêmio Nobel de Medicina por este trabalho. A penicilina salvou milhares de vidas de soldados aliados na Segunda Guerra Mundial.

A descoberta de Fleming constitui-se em uma das mais importantes em toda a história da humanidade.

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