Robert Redford está de Parabéns !

18 de Agosto 1937

Sob todos os aspectos, Robert Redford sempre foi um rebelde. Desde a adolescência problemática e a juventude despojada, passando pela difícil ascensão em Hollywood, algumas ásperas relações nos bastidores e a consagração como actor e diretor já na maturidade, ele recusou a adequação aos padrões. Tanto que, com sua natural rebeldia, ele é hoje o espelho do cinema independente americano com o prestigiado Sundance Film Festival, uma criação solitária que conquistou a corrente cinematográfica mundial com sua seleção de produções inventivas, qualitativas, mas declaradamente marginais.
O rosto perfeito nunca foi seu cartão de visitas. Afinal, ele já era bonito na adolescência, o que não o ajudou a evitar as pequenas violências dos gangs mais pesados da escola, da qual ele era um
activo membro. Após a morte de sua mãe, em 1955, foi a vocação para atleta e a acirrada competitividade que lhe deram uma bolsa de estudos na Universidade do Colorado. Em vez de estudar, acompanhado de seu meio irmão, William Coomber, adorava promover confusões. “Tentávamos entrar no cinema pela porta de saída, enquanto a plateia ia embora”, lembra.
Mas a estabilidade não lhe agradava e Redford partiu para a Europa, em Paris trabalhou como artista de rua. Andou por vários outros países, estabeleceu-se em Florença, mas quando percebeu que não tinha talento para a coisa, voltou para a América, trazendo o vício do alcoolismo na bagagem. “Senti que minha vida tinha, enfim, começado”, recorda. “Voltei para a Califórnia, mas ninguém estava interessado nas minhas experiências culturais. Todas as informações que adquiri, guardei para por em prática bem mais tarde.

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Meio perdido, inscreveu se no curso de Cenografia no Pratt Institute e detestava as aulas de Arte Dramática. Um dia, chamado para ler um poema em voz alta, descobriu sua vocação: queria ser actor. Nessa mesma época, casou-se com a mórmon Lola Jean van Wanegen, sua esposa por 28 anos, e mãe de seus três filhos. Estreou na Broadway na peça Tall Story, em janeiro de 1959, emprestando seu corpo atlético para o papel de um jogador de baseball. Durante três anos, emendou uma peça na outra, atuou em séries de Tv , até a estreia no cinema em 1962, com Obsessão de Matar.
Já ator de prestígio, Redford começou a criar outra fama: a de ser briguento e ter personalidade difícil. Quando lhe ofereceram o papel de Marlon Brando em A Caçada, ele preferiu escolher o outro e ser o condenado em fuga. Recusou o papel principal de Quem Tem Medo de
Virginia Woolf, justificando-se com o diretor Mike Nichols que não gostava da peça. O mesmo aconteceu com A Primeira Noite de um Homem e O Bebê de Rosemary, papéis que foram rejeitados por não se adequarem ao seu perfil. Quem pode recriminá-lo? Butch Cassidy acabou lhe dando razão, foi um estouro de bilheteria e colocou o entre os cinco actores de maior potencial de bilheteria em Hollywood.

Mas Redford não se acomodou. Nos anos 70, graças a sucessos como Golpe de Mestre, Nosso Amor de Ontem e Todos os Homens do Presidente, criou fôlego para investir na produção e reservar-se o direito de actuar apenas em filmes que refletissem seu modo de pensar o mundo, comprometidos com suas convicções, sem aspirações a blockbusters. Foi com essa postura que estreou na direção em 1980 com Gente como a Gente, levando o Oscar de Melhor Filme e Direção.

Cada vez mais seletivo em relação ao cinema, o ator e diretor começou a dedicar-se mais intensamente à campanhas ecológicas e formas de estimular a produção independente. Nos anos 80, emprestou cada vez menos seu lindo rosto para os diretores, em filmes esporádicos como Um Homem Fora de Série, Entre Dois Amores e Perigosamente Juntos, dirigiu um único filme, Rebelião em Milagro – quando, diz-se, teve um longo affair com a brasileiríssima Sônia Braga – preferindo organizar o Sundance Film Festival, ainda um evento de pequena expressão no cenário internacional, próximo à estação de esqui onde tinha uma propriedade, nas montanhas de Utah. Nos últimos anos, ajudou a transformar Brad Pitt em astro, escolhendo-o para ser seu alter ego no belíssimo Nada É Para Sempre. Criticou os bastidores da televisão nos anos 50 com Quiz Show – A Verdade dos Bastidores, como diretor. Voltou a desafiar as convenções hollywoodianas atuando em papéis de grande potencial romântico, quando atores jovens como Tom Cruise, Keanu Reeves e Brad Pitt estavam à frente dos melhores projetos. Fez dupla romântica com Lena Olin em Havana, Demi Moore no polêmico Proposta Indecente e Michelle Pfeiffer no emotivo Íntimo e Pessoal. Cheio de personalidade, ainda transformou seu incipiente festival no mais conceituado e disputado evento da produção independente internacional, sendo praticamente o fundador da cidade que serve de sede ao Sundance Film Festival, nome que faz uma homenagem ao seu personagem em Butch Cassidy, o primeiro de seus muitos sucessos. Agora, pretende criar uma cadeia de cinemas de arte, que está sendo chamada de Art-House Chain, sob a marca do Sundance Group. Seu último trabalho como ator e diretor foi O Encantador de Cavalos – Horse Whisperer.

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Robert Redford prefere viver entre as montanhas de Utah, na casa que construiu longe do barulho e da fama. “Em Los Angeles, vi como as almas ficam tentadas por causa de dinheiro e fama”, diz. Quando quer meditar, sai pelas colinas e demora semanas para voltar. “Há períodos em que moro em Nova York, mas meu coração está nas montanhas, e em Utah é onde me sinto mais feliz”, conta. Apesar do descaso em relação a Hollywood, Redford – considerado pela revista norte,americana Time uma das cinqüenta pessoas mais influentes dos Estados Unidos – é hoje um dos atores mais respeitados do cinema mundial. Além, é claro, de constar na lista dos mais bem pagos.

Apesar dos belos dotes físicos, sua vida amorosa nunca foi muito movimentada. O único casamento, com Lola Van Wagenen, em 1958, durou 27 anos e resultou em três filhos: James (34), Shauna (36) e Amy (26). Separado,  afirma não estar disposto a casar-se novamente.

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LONDON, ENGLAND - APRIL 24:  Actor Robert Redford speaks as he attends the American Ambassador's Reception during the Sundance London Film and Music Festival 2013 on April 24, 2013 in London, England.  (Photo by David M. Benett/Getty Images)

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