Morre António Salazar

27 de Julho 1970

O Presidente do Conselho gozava um período de férias, no forte de Santo António do Estoril, quando o improvável aconteceu. Não se saberá nunca se foi por descuido, desequilíbrio – ou por mera debilidade da cadeira de lona. O que é certo é que bateu violentamente com a cabeça no chão de pedra. Nunca mais recuperou. Morreu dois anos depois. Uma pessoa daquelas não podia simplesmente ser vítima de um acidente tão banal, ainda por cima por mero desequilíbrio ou fraqueza de uma cadeira de praia e durante a frivolidade dos dias de férias. Num dia de sol esplendoroso António Oliveira Salazar terá sido um pouco mais descuidado a sentar-se do que era seu hábito.

Salazar lançou-se sobre a cadeira de lona (tinha 79 anos, idade excessiva para descuidos) caiu e bateu violentamente com a cabeça no chão de pedra. O choque provocou-lhe um hematoma cerebral, o suficiente para limitar a sua capacidade de raciocínio, mas que passou despercebido. O próprio Salazar recusou que se chamasse um médico.

Para a História, fica a ideia de que estava distraído, a ler o Diário de Notícias, inclinando-se de forma apressada. A versão de Franco Nogueira é de que se preparava para tratar dos calos e a queda foi testemunhada pelo calista Augusto Hilário e pela governanta, Maria de Jesus.

Durante quase dois anos Salazar lutou contra a morte. A doença gravíssima que o prostrou deparou com a sua resistência invulgar. Mas esgotavam-se todos os recursos da medicina e deixou de pulsar o coração de um dos marcos da nossa História a 27 de Julho de 1970, dia da morte de Oliveira Salazar.

Salazar, na sequência da queda que sofrera a 3 de Agosto de 1968 no Forte de Santo António do Estoril – e que esconde a toda a gente – é objecto de uma intervenção cirúrgica mais de um mês depois. Tarde de mais. A 27 de Setembro, Salazar é afastado do Governo, sem disso dar conta. Aliás, tudo foi feito para que o político que governou durante quatro décadas não percebesse que já nada podia fazer pelo País, que as decisões já não lhe pertenciam. Agora, ocupava a sua cadeira aquele que muitos consideravam o seu delfim: o professor Marcello Caetano.

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Antonio de Oliveira Salazar, close-up - 1960 - by Paul Schutzer

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