Independência do Congo

30 de Junho 1960

Acreditam que os primeiros habitantes do país tenham sido os africanos, que foram sendo deslocados para o leste com a chegada dos povos bantos.

Entre os séculos X e XV, esses novos habitantes desenvolveram culturas baseadas na metalurgia do cobre e do ferro e mantiveram um comércio activo com as cidades mercantis da costa oriental da África. Entre 1350 e 1400 foi fundado o reino do Congo, que ocupava uma área de 300.000 Km2 de ambos os lados da foz do rio que os nativos chamavam Mzaire. Estruturaram-se vários reinos que reconheciam certa supremacia ao rei do Congo.

Em 1482, o Português Diogo Cão avistou a foz do rio e estabeleceu relações amistosas com o Manikongo (senhor do Congo), de autoridade divina. Em 1489, uma embaixada congolesa chegou a Lisboa, e no ano seguinte Portugal enviou pedreiros e carpinteiros que construíram, em pedra, a parte nova da capital. O reino congolês adoptou o catolicismo.

A partir do Século XVI, o Congo constituiu a maior reserva de escravos transportados para as Américas. Já no Século XIX, porém, o tráfico de negros cedeu lugar, progressivamente à ocupação colonial.

Na conferencia de Berlim (1884 – 1885), que efectuou a partilha de África entre as potências europeias, a região foi denominada Estado livre do Congo e considerada “independente” – propriedade particular do rei dos belgas.

Leopoldo II criou um exército particular de mercenários para explorar marfim e borracha no Congo. Todo o trabalho é escravo. Estima-se que em vinte anos, mais de 10 milhões de congoleses tenham sido mortos pelos mercenários de Leopoldo II  . A exploração dos nativos foi denunciada pelo cônsul britânico, Roger Casement, e o parlamento belga, pressionado pela comunidade internacional, viu-se obrigado a destituir a propriedade do Estado livre do Congo de Leopoldo II, transferindo-a para o governo da Bélgica e, com isso, oficializando a colonização, ou seja, concedendo ao território congolês um estatuto colonial (1908). Esse território passou a ser conhecido por Congo Belga, até a sua independência em 1960, quando adoptou a designação de Republica do Congo.

A política colonial permitiu elevar o nível de vida do país, sobretudo na década de 1950, mas não o preparou para a independência – por exemplo, os africanos negros só depois de 1954 tiveram acesso ao ensino universitário e só nesta altura foi permitida a formação de partidos políticos.

O desejo de independência dos principais partidos nacionalistas levou os belgas, em 30 de Junho de 1960, a finalmente conceder a independência ao Congo Belga, com o nome de Republica do Congo mas passados dias o país encontrava-se mergulhado na anarquia e com vários surtos de rebelião e lutas tribais.

Violentas desordens começaram quando a independência foi declarada. O exército Belga deslocou-se para salvaguardar a segurança da população branca. Houve actos de violência contra os Europeus, diante das ameaças de retaliação econômica dos belgas pela nova política adotada por Lumumba em relação à exploração mineira. A força pública congolesa sublevou-se, exigindo a demissão dos oficiais belgas. Moise Tshombé  proclamou a independência da província de Katanga (atual Shaba), a mais rica em diamantes e outros minérios, e solicitou ajuda militar à Bélgica.

O Congo chamou as forças de paz das Nações Unidas num esforço para evitar a guerra civil. Nova secessão pronunciou-se em Agosto, desta vez na província de Kasai. O presidente Kasavubu destituiu Lumumba, que, em Janeiro de 1961, foi sequestrado e assassinado por forças especiais belgas com o apoio da CIA . O exército governamental, dirigido pelo coronel Joseph Mobutu (mais tarde, Mobutu Sese Seko), partidário de Kasavubu, com o beneplácito da ONU, assumiu o poder.

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