As versões do acidente mortal de Ayrton Senna

1 de Maio 1994

Adrian Newey ainda não conseguiu compreender a morte de Ayrton Senna. O engenheiro\designer da Red Bull, considerado um dos melhores de sempre na sua função, desempenhava igual cargo na Williams em 1994. Foi ele que desenhou o carro em que o brasileiro morreu, naquele fatídico Grande Prémio de San Marino. E não consegue perceber o que provocou o acidente.

“Ainda me assombra até hoje. A causa foi a direcção ter partido ou foi um acidente?”, questiona Newey, em entrevista à BBC:

Segundo foi revelado na altura, a causa da morte de Senna foi o facto de a barra da direção ter partido e perfurado a cabeça do piloto. Contudo, Newey não sabe se partiu antes do acidente e provocou-o ou se partiu depois do impacto.

“Não há duvidas de que a barra da direcção partiu. Da mesma forma, todos os dados, todas as câmaras do circuito, a camera on-board de Michael Schumacher, nada parece ser consistente com tal versão. O carro saiu de traseira inicialmente, e Ayrton ainda corrigiu isso, mas a seguir foi sempre em frente”,descreveu.

Senna tinha 34 anos quando morreu. A sua morte aconteceu porque com o impacto do choque no muro, um pedaço da suspensão dianteira direita se partiu, transformando-se em uma espécie de lança que penetrou o visor do capacete e adentrou a órbita acima do olho direito, danificando irreversivelmente o lobo frontal.

Na análise dos médicos na pista, no hospital e na autópsia, depois de constatada a morte cerebral, foram percebidos três graves traumas: além do dano no lobo frontal, um grande choque que provocou fraturas na têmpora e rompeu aartéria temporal e uma fratura na base do cranio, devido à potência do impacto. Tanto a FIA quanto as autoridades italianas mantiveram a versão de que Senna não morreu instantaneamente, e sim no hospital, para onde fora levado rapidamente de helicóptero. Existe uma interminável discussão entre as autoridades a esse respeito.

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As primeiras voltas do GP de San Marino de 1994 foram feitas atrás de um safety car, que entrou na pista após um acidente na partida. Ele circulou em ritmo lento por intermináveis cinco voltas. O problema é que os F-1 não são feitos para andar tanto tempo em baixa velocidade. Pilotos da época, como o próprio Senna, alertavam que nessa situação os pneus arrefeciam demais, o que poderia ser perigoso

Estima-se que as cinco voltas em baixa velocidade fizeram os pneus perder 25% da pressão. Isso provocou uma redução no diâmetro deles em 4 ou 5 milímetros, “rebaixando” o carro. Nas imagens da prova na TV, dá para ver que, a 11 segundos da 7ª volta, o Williams de Senna soltou faíscas exageradas ao tocar no chão num ponto ondulado do circuito. Isso pode ter ocorrido pela perda na altura do carro.

Pela hipótese mais aceite, é que a barra de direcção do carro parte. A equipe Williams havia feito uma emenda para aumentar a coluna da barra em 1,8 centímetros, a pedido de Senna. Essa emenda, executada de má qualidade, rompeu, deixando Senna sem o controle do carro no meio da veloz e perigosa curva Tamburello. A dúvida continua a persistir…

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