As 24 horas antes do acidente fatal de Ayrton Senna

1 de Maio 1994

 

No dia 30 de Abril, Roland  Ratzenberger  morreu quando o seu carro bateu durante a qualificação para o Grande Prémio de San Marino, Itália.

Senna ignora as normas e vai ao local do acidente de Ratzenberger, observa o impacto e volta a reclamar das condições da pista . O acidente fatal do Austriaco, deixou Senna arrasado.

Senna chora apreensivo na sua boxe. Sozinho. Algum tempo depois pede a Frank Williams para convencer todos os outros chefes de equipa a não correr. A tensão, o ambiente, tudo era mau, após a morte de Roland. Era muita tensão que tornaria crítica a corrida de domingo.

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Senna telefona e fala com Adriane Galisteu , sua namorada, em Portugal. Estava triste. “Está tudo muito mau aqui. Um jovem austríaco morreu no seu 2º GP . Vi tudo na minha frente. Morreu. Eu não vou Correr amanhã!”. Entretanto, é criticado pela direcção de corrida por ter ido ao local do acidente de Ratzemberger.

Ayrton voltou a ligar para Portugal já noite. Antes do jantar. Avisou Adriane que iria para o Algarve, logo após o GP terminar.

Nessa noite, Senna jantou com os amigos de sempre nos GPs, incluindo o comentador Galvão Bueno, o irmão Leonardo e Braguinha seu grande amigo. O grupo  saiu do Hotel Castello onde estavam instalados, rumo ao Restaurante Trattoria Romagnola. O tema do jantar foi Ratzemberger, claro. Mas também Adriane Galisteu, pelo facto de não ser aceite pela família de Senna. Foi no jantar que Senna esqueceu a ideia de não participar no GP, Domingo.

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Desceu para o seu derradeiro pequeno almoço. Última refeição com os amigos. E com quem comentou, desagradado, o facto de Ron Dennis, chefe da McLaren, o ignorar ao ponto de nem o saudar quando o via. Sentia-se injustiçado, ele que tantas vitórias e tantos títulos dera à McLaren. Dennis tinha virado uma pedra para com Ayrton que o abandonou rumo à Williams.

No Warm Up na manhã de Domingo, Senna chegou ao circuito e de modo absolutamente convicto deixou registada a mensagem que estava ali para iniciar a recuperação do campeonato. Rodou no último treino com o melhor tempo. Schumacher quase a um segundo de diferença.

Senna recebia a confirmação de que teria o helicóptero que pediu após o GP, para o levar do circuito directo para o aeroporto de Bolonha onde apanharia o jacto para o Algarve para junto de Adriane Galisteu.

No bolso do seu fato de competição, Senna colocou uma bandeira da Áustria, em homenagem a Roland Ratzenberger. Ele esperava mostrá-la mais tarde no lugar mais alto do pódio, em vez da habitual bandeira do Brasil.

Na largada, Pedro Lamy fica parado na sua posição de partida e vindo detrás, o finlandês JJ Letho embate no Lotus do português, espalhando destroços por toda a zona da recta da meta. O Safety Car entra em pista pela 1ª vez na Fórmula 1.

Ayrton Senna Story

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Nas voltas com a presença do Safety Car, o ritmo foi lento demais. Os travões não aqueciam o suficiente. Os pneus viram a sua temperatura descer e a pressão dos mesmos também. O Safety Car, tinha dito Senna no Briefing, poderia ser perigoso. Mas, ninguém sabia. Era a 1ª vez. Durante as 5 voltas atrás do Safety Car, não houve nenhuma comunicação entre Senna e a boxe. O brasileiro não abriu a boca. Não perguntou nem comentou nada. O que estaria Senna a pensar?

Senna era o líder, Schumacher vinha logo atrás a pressionar o comando.

Senna iniciava os últimos 5000 metros e última volta da sua carreira. Mesmo reduzindo a velocidade ainda no asfalto, naquele momento Senna viu o seu carro rumo ao muro.  Tamburello não tinha qualquer proteção na escapatória em frente. O Williams sai da trajetória normal em Tamburello a 307 Kms/h.

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